É noite de São João e eu aqui no meu plantão!
Junho 24, 2009
Não tenho mesmo nada de novo pra contar. Ou até tenho, mas a preguiça de pensar ordenadamente não deixa… Ultimamente tenho pensado bastante nisso, no meu escrever, nos meus quês para isso, na minha profissão jornalística, na minha aptidão para a mesma, vocação, dom, desejo, vontade, necessidade. Tudo isso anda martelando em minha cuca, principalmente depois da queda do diploma. O fato é que o diploma caiu, não a profissão. E isso é importante de ser dito – e revisto.
O texto que postei aqui e que fizemos rodar net afora, da jornalista Márcia Moreira, rendeu assunto e ainda rende. Recebi via e-mail boas argumentações contra e a favor do diploma, contra e a favor do jornalismo e contra e a favor da ética. Pois é. E o que tenho a dizer, em relação ao diploma, é que sim, faculdade não ensina tudo o que precisamos aprender, principalmente no campo ético; sim, o Brasil inda era o único com a tal exigência e sim, essa exigência já foi sinônimo de censura. Mas meus caros, vamos olhar direito para o nosso país, para o paternalismo político que vivenciamos dia a dia, pra essa porcalheira corrupta que nos cerca e vamos, sobretudo, olhar e entender porque o jornalismo é tido como o quarto poder. Talvez mais sujo do que os outros três, eu não discordo de vcs em absoluto, mas vamos olhar para o jornalismo, não para os nossos próprios umbigos.
Porque os jornalistas que aderiram a resolução dos sem diploma são pessoas de carreiras consolidadas, ganhando bufunfas de din din mensais e que não precisam de teto salarial pra sobreviver. Então, alguma coisa está fora da ordem, não é mesmo?
Com ou sem diploma jornalista precisa passar por crivos. Por mim todos nós passaríamos por testes como os que são submetidos os formados em advocacia pela OAB. O nosso maior problema é a falta de união dessa categoria, tão cheia de estrelas e celebridades que acreditam mesmo no que defenderam no Supremo, que para ser jornalista basta saber escrever.
Eu vos digo: jornalismo não é literatura. É possível juntar os dois e deixar o troço bacana? Lógico que sim. Mas literatura é sobretuto texto livre e ficcional, de primor estético. Jornalismo é verdade- ao menos deveria – é informação fatal que pode causar destruição e morte; é extremista e exige responsabilidade e competência. Capaz de construir grandes mentiras sociais sim, justamente pela força e pelo poder que tem. Sei bem o que digo, pois quando me ative a estudar para juntar literatura e jornalismo incorri em dificuldades que não sabia que poderia ter. Fazer do jornalismo literatura é arte. E nem todo jornalista sabe fazer isso. E vice-versa.
Então não venha me dizer que qualquer um pode ser jornalista, não venha me dizer que, por causa da incompetência do Ministério da Educação, que permite a abertura de dezenas faculdades por ano, meu diploma não vale nada. Porque bem ou mal, recebi na academia subsídios necessários para saber o que sei hoje sobre comunicação; recebi dela o fomento necessário para obter novos conhecimentos. E para quem desconhece o fato, esclareço que gosto e sei escrever bem desde muito novinha e, se fosse pra ser jornalista apenas por saber escrever bem, de fato não precisava buscar um canudo.
Deixo claro que não defendo o canudo em si. Defendo antes o respeito aos profissionais da minha área. Defendo o respeito à própria profissão, que não pode ser tratada com esse desdém; Uma profissão que lida diretamente com a vida das pessoas, capaz de construir cidadania e destruí-la com o mesmo taco, numa mesma cacetada, com ou sem preocupações estéticas.