Promessas e espinha.
Junho 24, 2009
Quero desenhar. Pintar também. E comprar continhas, pra fazer colar.
Porque essa vida não artesanal que tenho levado, meus caros, não me leva mais. Ando á flor da pele, com vontades outras, com desejo de volver em mim. Já faz um tempo que penso isso. Mas só pensamento, sem ação. Daí que finjo que vou passar na Carlos Gomes para resolver e nada faço. Mas chegou a hora de parar com o papo e respeitar meus ditos. Então amanhã, dia de folga ditada depois desse São João intenso mas não prazeroso, vou colorir minha sacola e levar pra casa novas idéias, para preencher uns vãos que estão aqui.
Quem vai gostar muito disso será meu cavalete, que passou um ano em pé, encostado num cantinho, recamando pela falta de atenção. Ele vai sorrir feliz de ser usado novamente e vai manter-se firme até a última pincelada, eu sei… E quem também vai gostar muito são os pincéis e as folhas de papel que tem pouco sido gastas, apesar da companhia de Juan, que as adora também.
E os arames e os alicates também vão ficar felizes. Eles são mais rebeldes e enferrujados, chamam minha atenção com gritos mais fortes, pois não sabem esperar quietos, pensam logo em suicídio. Nós já conversamos e obsoletos não vão ficar. Uma pitadinha de óleo aqui, outra acolá e em pouco tempo já se esticam como antes.
Pausa para conversa com Filipe no MSN:
F. diz:
tô com uma espinha de sardinha na garganta
F. diz:
o q é q eu faço?
Isa Lorena. diz:
agora?
Isa Lorena. diz:
come banana que desce
Isa Lorena. diz:
tem banana?
F. diz:
n tem
F. diz:
já comi farinha
F. diz:
nada
Isa Lorena. diz:
….
Isa Lorena. diz:
farinha é foda
F. diz:
minha mae
F. diz:
rs
Isa Lorena. diz:
tá lá em baixo ou mais pra cima?
F. diz:
em cima
Isa Lorena. diz:
pede uma banana na vizinha
F. diz:
Poxa
Isa Lorena. diz:
então tá uma super tossida e faz que vai vomitar
Isa Lorena. diz:
a espinha se assusta e sai
F. diz:
já tentei isso tb
F. diz:
Isa Lorena. diz:
então se jogue aí de cima
F. diz:
F. diz:
aFF
Isa Lorena. diz:
suicídio é o que resta
(…)
Isa Lorena. diz:
sério que vc tá total engasgado?
Isa Lorena. diz:
tá atravessada é?
F. diz:
n tô engasgado n
F. diz:
ela tá presa
F. diz:
e tá incomodando bastante
Isa Lorena. diz:
mas ela pode furar suas cordas vocais
F. diz:
sa Lorena. diz:
aí suas palavras vão escapar todas
Isa Lorena. diz:
rs
(…)
Isa Lorena. diz:
já sei!
F. diz:
porra véi
F. diz:
o q?
Isa Lorena. diz:
vai no banheiro
Isa Lorena. diz:
e bate uma.
F. diz:
haha
Isa Lorena. diz:
quem sabe gozando vc não esquece ela…
F. diz:
Poxa
F. diz:
tô pensando q é coisa séria
Isa Lorena. diz:
desculpa amô
F. diz:
espinha de sardinha é fina mais incomoda
F. diz:
rs
Isa Lorena. diz:
é que só vc pra se engasgar com uma epinha em pleno são joão.
Isa Lorena. diz:
tanta coisa pra comer
Isa Lorena. diz:
pamonha
F. diz:
kkkkkkkkk
Isa Lorena. diz:
milho
Isa Lorena. diz:
canjica…
F. diz:
ADOOOORO
Isa Lorena. diz:
e vc vai justo comer peixe
Isa Lorena. diz:
NÃO É SEXTA FEIRA SANTA CARALHO!
.
Vale a pena ler mais um pouco
Junho 24, 2009
Através deste, outros links para textos sobre o Fim da obrigatoriedade do diploma para Jornalistas. Uma provocativa de lá e a passagem logo abaixo.
“Guardadas as devidas proporções, os desafios que se apresentam são semelhantes aos de um recém-formado na área: a conquista do canudo é só o começo. Importante, mas só o começo. Com o diploma assegurado, temos mais em que pensar”
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=353DAC001
Provocações..
Junho 24, 2009
Pra esquentar o São João, tem texto novo na Outra Casa.
É noite de São João e eu aqui no meu plantão!
Junho 24, 2009
Não tenho mesmo nada de novo pra contar. Ou até tenho, mas a preguiça de pensar ordenadamente não deixa… Ultimamente tenho pensado bastante nisso, no meu escrever, nos meus quês para isso, na minha profissão jornalística, na minha aptidão para a mesma, vocação, dom, desejo, vontade, necessidade. Tudo isso anda martelando em minha cuca, principalmente depois da queda do diploma. O fato é que o diploma caiu, não a profissão. E isso é importante de ser dito – e revisto.
O texto que postei aqui e que fizemos rodar net afora, da jornalista Márcia Moreira, rendeu assunto e ainda rende. Recebi via e-mail boas argumentações contra e a favor do diploma, contra e a favor do jornalismo e contra e a favor da ética. Pois é. E o que tenho a dizer, em relação ao diploma, é que sim, faculdade não ensina tudo o que precisamos aprender, principalmente no campo ético; sim, o Brasil inda era o único com a tal exigência e sim, essa exigência já foi sinônimo de censura. Mas meus caros, vamos olhar direito para o nosso país, para o paternalismo político que vivenciamos dia a dia, pra essa porcalheira corrupta que nos cerca e vamos, sobretudo, olhar e entender porque o jornalismo é tido como o quarto poder. Talvez mais sujo do que os outros três, eu não discordo de vcs em absoluto, mas vamos olhar para o jornalismo, não para os nossos próprios umbigos.
Porque os jornalistas que aderiram a resolução dos sem diploma são pessoas de carreiras consolidadas, ganhando bufunfas de din din mensais e que não precisam de teto salarial pra sobreviver. Então, alguma coisa está fora da ordem, não é mesmo?
Com ou sem diploma jornalista precisa passar por crivos. Por mim todos nós passaríamos por testes como os que são submetidos os formados em advocacia pela OAB. O nosso maior problema é a falta de união dessa categoria, tão cheia de estrelas e celebridades que acreditam mesmo no que defenderam no Supremo, que para ser jornalista basta saber escrever.
Eu vos digo: jornalismo não é literatura. É possível juntar os dois e deixar o troço bacana? Lógico que sim. Mas literatura é sobretuto texto livre e ficcional, de primor estético. Jornalismo é verdade- ao menos deveria – é informação fatal que pode causar destruição e morte; é extremista e exige responsabilidade e competência. Capaz de construir grandes mentiras sociais sim, justamente pela força e pelo poder que tem. Sei bem o que digo, pois quando me ative a estudar para juntar literatura e jornalismo incorri em dificuldades que não sabia que poderia ter. Fazer do jornalismo literatura é arte. E nem todo jornalista sabe fazer isso. E vice-versa.
Então não venha me dizer que qualquer um pode ser jornalista, não venha me dizer que, por causa da incompetência do Ministério da Educação, que permite a abertura de dezenas faculdades por ano, meu diploma não vale nada. Porque bem ou mal, recebi na academia subsídios necessários para saber o que sei hoje sobre comunicação; recebi dela o fomento necessário para obter novos conhecimentos. E para quem desconhece o fato, esclareço que gosto e sei escrever bem desde muito novinha e, se fosse pra ser jornalista apenas por saber escrever bem, de fato não precisava buscar um canudo.
Deixo claro que não defendo o canudo em si. Defendo antes o respeito aos profissionais da minha área. Defendo o respeito à própria profissão, que não pode ser tratada com esse desdém; Uma profissão que lida diretamente com a vida das pessoas, capaz de construir cidadania e destruí-la com o mesmo taco, numa mesma cacetada, com ou sem preocupações estéticas.
Quero meu diploma de volta!
Este ano, quando completaria 20 de jornalismo, acordei no dia 18 de junho de 2009 sem profissão. No dia 17 de junho, o Supremo Tribunal Federal, por oito votos a um, cassou o meu diploma e de outros milhões de profissionais brasileiros. Tudo, supostamente, em nome da Liberdade de Imprensa. Será?
O ministro Gilmar Mendes comparou jornalistas a cozinheiros. Outro ministro disse que jornalismo é literatura. Caímos, então, mais uma vez, no engodo de que para ser bom jornalista basta saber escrever. Para estas pessoas, o jornalismo é uma espécie de “dom”, identificado através do simples ato de se ‘escrever bem’ – um critério bastante subjetivo onde o “escrever bem” pode estar, apenas, intrinsecamente ligado ao ato de escrever corretamente, de acordo com as regras gramaticais. Limitar a profissão de jornalista a algo tão óbvio é uma atitude simplória e reducionista.
Também, há de se questionar: se em outras profissões que realmente exigem um dom, como Dança, Pintura, Música, Teatro, Artes plásticas, há de se passar por um ensino formal, acadêmico, por que em se tratando de Jornalismo deveria ser diferente? O exercício do Jornalismo é muito mais do que a simples “arte de escrever bem”. A profissão também envolve técnicas próprias, conhecimentos específicos, estudos aprofundados e, principalmente, um compromisso com a sociedade.
Mas o diploma, por si só, é suficiente para garantir a formação de um bom profissional? Claro que não. Aprendi muito mais fazendo matéria de rua do que sentada no banco da faculdade. Mas a prática, além de complementar a um bom embasamento teórico, é também necessária em qualquer profissão e não apenas na de jornalista.
No site do Observatório de Imprensa, Carlos Castilho publicou um artigo em que diz: “As escolas de jornalismo no país dão aos seus alunos a capacitação necessária para ingressar num mercado de trabalho caracterizado por transformações radicais na área da comunicação e do processamento da informação? Com raras exceções, a resposta será não”. Concordo plenamente, mas então a luta deve ser pela melhoria da qualidade do ensino oferecido nas faculdades e não simplesmente extinguí-las.
Os ministros tomaram como parâmetro do seu julgamento o fato de vários outros países do mundo não exigirem o diploma para o exercício da profissão de jornalismo. Mas vamos levar em conta a realidade do Brasil. Não vamos limitar esta discussão as redações dos grandes veículos de comunicação das capitais brasileiras. Quem já andou pelo interior deste país sabe que em muitas cidades a única rádio ou tevê local pertence a algum político.
Uma outra questão é, igualmente, crucial quando se trata de discutir a extinção do diploma de jornalista é o controle da mídia por políticos e famílias de políticos. Entendendo-se aqui, controle como propriedade, como dono de veículos de comunicação.
Segundo reportagem de Elvira Lobato, publicada no Jornal Folha de São Paulo do dia 18 de junho de 2006, o presidente Luís Inácio Lula da Silva distribuiu, em três anos de governo, 110 emissoras educativas, sendo 29 televisões e 81 rádios. Uma em cada três rádios foi parar, direta ou indiretamente, nas mãos de políticos. O governo de Fernando Henrique Cardoso autorizou, em oito anos, a abertura de 239 rádios FM e de 118 TVs educativas.
No governo do general João Baptista Figueiredo (1978 a 1985), foram distribuídas 634 concessões, entre rádios e televisões, mas não se sabe quantas foram para políticos. No governo Sarney (1985-90), houve recorde de 958 concessões de rádio e TV distribuídas. Muitos políticos construíram patrimônios de radiodifusão naquele período em nome de ‘laranjas’.
As concessões de TV são dadas por decreto do presidente, enquanto as de rádio são aprovadas pelo ministro, por portaria. As concessões de TV são por 15 anos, renováveis, e as de rádio, por 10 anos, também renováveis.
No dia 23 de outubro de 2006, aproveitando as eleições realizadas este ano. o jornalista Alceu Luis Castilho publicou no site Agência Repórter Social (www.reportersocial.com.br) um levantamento inédito sobre a quantidade de rádios e TVs que estão nas mãos de parlamentares. Ele utilizou como base os dados entregues pelos próprios políticos aos Tribunais Regionais Eleitorias (TRÊS), a maior parte disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Castilho, ainda usou mais duas fontes de informações: o Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom), do Rio Grande do Sul, que divulgou em 2005 uma lista que incluía os senadores que têm parentes com concessão de rádio ou/e televisão; e uma lista feita em 2005 pelo professor Venício de Lima, da Universidade de Brasília, com o nome dos deputados beneficiados com concessões de rádios e TVs e que constam na lista do Ministério das Comunicações. Venício de Lima e James Görgen, do Epcom, definem o fenômeno das concessões de rádio e TVs à parlamentares como “coronelismo eletrônico”.
A compilação dos dados mostra que um terço dos senadores e mais de 10% dos deputados eleitos para o quadriênio 2007-2010 controlam rádios ou televisões. No Nordeste, 44 parlamentares têm controle de rádio e TV; no Norte, sete parlamentares; no Centro-Oeste, três parlamentares; no Sudeste, 18 parlamentares e na região Sul, oito parlamentares.
Estas informações foram compiladas por mim em 2006 para monografia do meu curso de pós-graduação, intitulada “A necessidade da exigência do diploma para o exercício do Jornalismo”. Tenho que certeza que a atualização destes dados seriam tão preocupantes quando antes.
Diante de uma realidade absurda como esta, o que deveria estar sendo discutido por todo o país, é a brecha existente na legislação brasileira que permite que políticos sejam detentores de vários veículos de comunicação. Esta permissividade, sim, compromete a liberdade de expressão e coloca em risco a própria democracia. Afinal, que tipo de informação atende aos interesses políticos dos donos destes veículos? E que tipo de informação não deve ser divulgada para não ferir estes mesmos interesses?
Que tipo de informação vai ser repassada para a população? Será permitido às pessoas ter acesso aos dados negativos dos governos; às opiniões divergentes; às denúncias de corrupção, de improbidade, etc. Ter acesso, enfim, ao mundo real? Será que o interesse eleitoral dos políticos que são donos de veículos de comunicação não irá suplantar a busca pela verdade, o compromisso com a sociedade, algo que é intrínseco à formação dos jornalistas?
Se acabarem com a exigência do diploma temo por uma demissão em massa – principalmente nos veículos de comunicação que não estão nos grande centros urbanos – para que as redações sejam ocupadas por parentes, amigos e apadrinhados dos donos dos jornais. E se eles escrevem bem ou não, será apenas um detalhe.
Por isso, acho que nós jornalistas, ABI, Fenaj, a sociedade como um todo deve iniciar, imediatamente, a campanha QUERO MEU DIPLOMA DE VOLTA antes que seja tarde demais.
Márcia Moreira
Jornalista (DRT 1447 –BA)
.A verdade oblíqua. .JEAN BAUDRILLARD.
Junho 22, 2009
JEAN BAUDRILLARD
A verdade oblíqua
O pensador que inspirou a trilogia “Matrix” não gosta do filme e acha que a cultura americana impõe padrões banais
LUíS ANTôNIO GIRON
Andre Arruda/ÉPOCA
O professor baixo e mal-humorado é hoje uma das figuras mais populares do novo século. O pensador francês Jean Baudrillard, de 74 anos, recusa-se a falar em inglês. Mesmo assim, é tão popular nos Estados Unidos por causa de suas análises sobre a cultura de massa que foi convidado a fazer um show de filosofia em Las Vegas. E seu nome está na boca dos espectadores da trilogia Matrix. No primeiro filme dos irmãos Wachowski, o hacker Neo (Keanu Reeves) guarda seus programas de paraísos artificiais no fundo falso do livro Simulacros e Simulação, de Baudrillard. Keanu leu o livro e costuma mencionar o autor em todas as suas entrevistas sobre Matrix Reloaded, o novo filme da trilogia. Até porque o ensaio sobre como os meios de comunicação de massa produzem a realidade virtual inspirou os diretores de Matrix a criar o roteiro.
Baudrillard não parece ligar para a fama. Ele esteve no Brasil para lançar seu novo livro, Power Inferno (Sulina, 80 páginas, R$ 18), e participar da conferência ‘A Subjetividade na Cultura Digital’, na Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, onde falou com ÉPOCA. Sempre pautado por assuntos atuais, ele analisa no ensaio os atentados de 11 de setembro de 2001 como um ato simbólico contra o Ocidente. Nesta entrevista, ele fala sobre seu pensamento turboniilista, 11 de setembro e arte. Se a realidade já não existe e vivemos um permanente e conspiratório espetáculo de mídia, como quer Jean Baudrillard, o pensador exerce a função de entertainer às avessas. Ele decreta o fim dos tempos, e todo mundo vibra.
ÉPOCA – A disseminação de signos a despeito dos objetos pode conduzir a civilização à renúncia do saber?
Baudrillard – Alguma coisa se perdeu no meio da história humana recente. O relativismo dos signos resultou em uma espécie de catástrofe simbólica. Amargamos hoje a morte da crítica e das categorias racionais. O pior é que não estamos preparados para enfrentar a nova situação. É necessário construir um pensamento que se organize por deslocamentos, um anti-sistema paradoxal e radicalmente reflexivo que dê conta do mundo sem preconceitos e sem nostalgia da verdade. A questão agora é como podemos ser humanos perante a ascensão incontrolável da tecnologia.
ÉPOCA – Seu raciocínio lembra os dos personagens da trilogia Matrix. O senhor gostou do filme?
Baudrillard – É uma produção divertida, repleta de efeitos especiais, só que muito metafórica. Os irmãos Wachowski são bons no que fazem. Keanu Reeves também tem me citado em muitas ocasiões, só que eu não tenho certeza de que ele captou meu pensamento. O fato, porém, é que Matrix faz uma leitura ingênua da relação entre ilusão e realidade. Os diretores se basearam em meu livro Simulacros e Simulação, mas não o entenderam. Prefiro filmes como Truman Show e Cidade dos Sonhos, cujos realizadores perceberam que a diferença entre uma coisa e outra é menos evidente. Nos dois filmes, minhas idéias estão mais bem aplicadas. Os Wachowskis me chamaram para prestar uma assessoria filosófica para Matrix Reloaded e Matrix Revolutions, mas não aceitei o convite. Como poderia? Não tenho nada a ver com kung fu. Meu trabalho é discutir idéias em ambientes apropriados para essa atividade.
ÉPOCA – Quanto à arte, o senhor se dedicou a analisar o fenômeno artístico ao longo dos anos. Em que pé se encontra a arte contemporânea?
Baudrillard – A arte se integrou ao ciclo da banalidade. Ela voltou a ser realista, a desejar a restituição da reprodução clássica. A arte quer cumplicidade do público e gozar de um status especial de culto, situação prefigurada nas sinfonias de Gustav Mahler. Claro que há exceções, mas, em geral, os artistas se renderam à realidade tecnológica. Desde os ready-mades de Marcel Duchamp, a importância da arte diminuiu, porque a obra de arte deixou de ter um valor em si. Os signos soterraram a singularidade. Os artistas se submetem a imperativos políticos, e não mais seguem ideais estéticos. A arte já não transforma a realidade e isso é muito grave.
JEAN BAUDRILLARD
Nascimento
Reims, na França, em 1929
Trajetória
Sociólogo e fotógrafo. Em 1966 começou a lecionar na Universidade de Paris X-Nanterre. Atualmente, dedica-se a escrever e fazer palestras
Livros principais
O Sistema dos Objetos (1968), À Sombra das Maiorias Silenciosas (1978), Simulacros e Simulação (1981), América (1988), Cool Memories I (1990), A Troca Impossível (1999), O Lúdico e o Policial (2000)
ÉPOCA – Por que o senhor escreveu tanto sobre a cultura americana mas nunca refletiu sobre o Brasil, que o senhor tanto adora visitar?
Baudrillard – Já me cobraram um livro sobre o Brasil. Cito-o em minhas Cool Memories (trabalho no quinto volume) e em outros textos, mas a cultura brasileira é muito complexa para meu alcance teórico. Ela não se enquadra muito em minhas preocupações com a contemporaneidade, não tem nada a ver com a americana, com seus dualismos maniqueístas, um país que se construiu a partir das simulações, um deserto da cultura no qual o vazio é tudo. Os Estados Unidos são o grau zero da cultura, possuem uma sociedade regressiva, primitiva e altamente original em sua vacuidade. No Brasil há leis de sensualidade e de alegria de viver, bem mais complicadas de explicar. No Brasil, vigora o charme.
ÉPOCA – O que o senhor pensa da civilização americana depois dos atentados de 11 de setembro? O mundo mudou mesmo por causa deles?
Baudrillard – Claro que mudou. Nunca mais seremos os mesmos depois da destruição do World Trade Center. Abordo o tema em Power Inferno, uma coletânea de artigos sobre o império americano e a política. Considero os atentados um ato fundador do novo século, um acontecimento simbólico de imensa importância porque de certa forma consagra o império mundial e sua banalidade. A Guerra do Iraque apenas dá seqüência às ações imperiais. Os terroristas que destruíram as torres gêmeas introduziram uma forma alternativa de violência que se dissemina em alta velocidade. A nova modalidade está gerando uma visão de realidade que o homem desconhecia. O terrorismo funda o admirável mundo novo. Bom ou mau, é o que há de novo em filosofia. O terrorismo está alterando a realidade e a visão de mundo. Para lidar com um fato de tamanha envergadura, precisamos assimilar suas lições por meio do pensamento.
A planta que evolui pra isso e aquilo…
Junho 22, 2009
Domingo sim. Quase oito da noite e eu aqui, no Pelourinho a trabalhar. Mas não triste. Só com vontade de estar em casa com Juan mesmo. Desde quinta labutando com sua garganta infeccionada e apesar de já estar bem melhor ainda ta molinho, dengosinho…
Hoje meu plantão é até meia noite e quando eu chegar ele já vai estar dormindo. Eu queria relaxar, mas ta difícil… Ele ta com a Tetei dele e bem cuidado, mas poxa…
Hoje dei risada velada dele, porque estamos desde ontem lá na casa de minha mãe, na Ribeira – a Tetei. E aí hoje foi lá Jucy ver a gente com Ramalho e na hora do almoço desatamos a discutir filosofias variadas, devaneios sociais, estruturas comportamentais e um monte de outras quinquilharias pensamentísticas e aí ele reclamou, testou chantagem e eu, quem me conhece sabe, quando estou entretida num papo bom, sai de baixo. È como um grude e eu não consigo parar…
Aí na ultima reclamação eu já estava naquela de querer sair da mesa, mas ainda discutindo, parati, patatá, vem minha mãe: “ô minha filha, Juan ta lá dentro reclamando que você não ta dando atenção a ele, que só quer ficar aqui conversando, já com cara de choro”. Aí eu acordei né, dei meus últimos pitelecos e fui lá, ao encontro do príncipe.
Juan não nega as origens. Quando ele veio o mundo, ainda imerso no quentinho do meu ventre, decidi que em seu nome não haveria um Vergasta, o meu sobrenome materno, historicamente carregado de dramaticidade feminina. Mas não adiantou patavinas, pois Juan Felipe veio com toda ela em seu sangue e quem conhece o moleque desde menor sabe de toda a teatralidade ali inerente. Pois sim. Lá estava Juan, no quarto, na cama, deitado, todo encolhidinho. Chego eu: ô Ju, ta fazendo o que aqui amorzinho?
Pronto. Foi a deixa pra uma série de reclamações lacrimosas e ele dizia assim:
- Você só quer ficar falando de política e de onde veio o mundo, e a planta que evoluiu pra isso e aquilo e nem liga pra mim!
Juro que não ri.
Conversamos, ele se acalmou; demos risada, secaram as lágrimas e ficamos agarradinhos lendo uma revistinha até que pegamos no sono, três da tarde! O resultado foi um soninho gostoso interrompido por minha mãe às cinco e meia, preocupada com meu horário de vir trabalhar. Rs
Adoro ver Juan reivindicando, argumentando os quês de seus descontentamentos. É um exercício que espero que ele mantenha vida afora, com menos carga dramática, claro. Ele tem abertura para falar sobre o que sente e pensa, nunca esquecendo – ou sempre sendo lembrado – do respeito que precisa ter para com o outro, atento à maneira de falar e tudo mais que é necessário nesses momentos. Afinal, calar dá câncer, vcs sabiam? Pois é.
Então eu tô aqui. Ouvindo um forrozinho, enquanto ele está deitado no sofá assistindo Kung Fu Panda pela terceira ou quarta vez. Ô Saudade…
E agora ele aprendeu a fazer massagem! Sim, sim, morram de inveja…
Deixa eu voltar pro São João que até quarta feira tem é água pra rolar. E pamonha, canjica, amendoim e licor também, claro.
p.s. a Internet resolveu cair de vez agora. Ela ta engasgando o dia todo segundo a galera. Agora resolveu cair de vez. Suicidou-se do pé de coentro. Fudeu. Como é que trabalha assim?
Juan perguntou por vc. Disse que estava com saudades.
Olhei em seus olhos e disse: eu também.
- E porque a gente não liga pra ela?
Pensei um pouco.
- Porque ela tá muito ocupada consigo mesma, filho… E aí agora só quer ficar com ela… Não tem tempo pra mais ninguém, só pra si.
Ele me olhou profundo… Como se advinhasse as lágrimas ocultas em meu olhar, e disse:
- É mainha.. triste isso. Porque daquia pouco ninguém vai ter tempo pra ela também, né?
…
“Eu avisei, sorrindo pela janela: ói que lindo! Mas só Carolina não viu”
Risos e lágrimas em perfeita simetria.
Junho 13, 2009
Devendo textos a mim mesmo por conta da correria ‘miserávi’ do São João que já começou pra mim desde os idos de maio… arf.
Mas eu to aqui, vivinha da silva, comemorando a vida ao lado do meu piscuizinho, que hoje veio trabalhar comigo! Na verdade ele veio foi jogar vídeo game no computador e encantar a galera com seus bichinhos de massinha, réplicas perfeitas, como já contei antes.
“Na dança do kosaco, não fica com o saco fora” tocando aqui no quintal, o povo animado, rezando pra Santo Antônio, uns pedindo marido, outros pedindo pra se livrar mesmo, é o ciclo da vida. Rs
Tenho escrito muito é na latrina, no meu caderninho, nas madrugadas insones. O dia começa às seis, mas antes da duas fica difícil pregar o olho de fato. Mafalda tem me acompanhado também. Fui cair na asneira de recomeçar Nietsche, mas o bicho ta pegando literalmente, então deixei os aforismos de lado. Ontem fiz uma coisa massa, que adoro, que me gratifica, que me amplifica: arrumei minhas caixas. Minhas caixas de cartinhas, bilhetes e declarações de amor. E aí tasquei a ler tudo aquilo, uma delícia. Risos e lágrimas em perfeita simetria.
Quando eu crescer e tiver uma casinha só minha – aquela com quintal e mesa de madeira pra acolher a minha “grande família de Antônia – vou ter uma cristaleira pra guardar todas essas coisas, todos esses pedacinhos de mim, anotados no papel. Tem cartinhas desde lá na tenra infância, vcs não têm noção. Cartas pra caralho, cartas de amigos queridos que permanecem no cotidiano, cartas de amigos queridos que já se foram, cartas de amores, de amantes, de delírios, cartas das mais variadas motivações, putaquepariu, tanta coisa, tanta coisa que diz tanto de mim…
Aí eu fiz minha reafirmação do que sou, do que era, de quem me tornei, e nesses momentos o reencontro é lindo, porque é nas palavras do outro que fala de nós que sabemos desse Eu que as vezes se esconde por trás dos fios brancos, das rugas, das novas paixões que angariamos na vida.
E então eu fui me recapitulando, eu na escola, eu na rua, eu na faculdade, eu nos meus quintais, eu em mim. Tem de bilhetinhos trocados a cartas imensas, escritas em papel guardanapo. Imaginem só que nostalgia?
Pois é.
Agora eu quero é descansar nos dias que vem, agarradinha no meu pimpolho, fazendo nada, vivendo de ócio, até chegar segunda feira de novo e de novo, o quase novo.
Eu quero mais é olhar pra frente. Porque as vezes me critico demais, me cobro demais e me trato como se fosse robô, logo eu, que sou assim, tão coração…
“Resistindo na boca da noite um gosto de sol”
Junho 8, 2009
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