Good Luck

Abril 30, 2009

Imagine: você está no trabalho, são oito horas da noite de uma quinta-feira véspera de feriado. Lá fora tem um quintal. Você está sozinho na sala, com dois computadores em sua frente. Ligados. Você, ligado também. lá fora tem um quintal e tem um monte de gente bacana comendo feijão e tomando cerveja. Sim, você também tem direito à cerveja. Mas está na sua sala, trabalhando, às oito da noite, em frente a dois computadores. Ligados.

É sim meus caros, essa é a minha situação agora. E como o Corel do outro computador funciona mais lentamente que tartaruga espreguiçando, eu resolvi ir lá dar uma clicada e vir aqui escrever, nos intervalo dos três minutos que ele leva pra processar uma ordem. Pois é.

Ah velho… Eu to cansada sabe? Cansada de trabalhar e não ganhar o justo. Cansada de trabalhar com coisas que não me deixam feliz. Gosto de ter muita coisa pra fazer. Não estou triste de não estar lá fora agora, isso é fato. Eu só queria pensar que pô, vale a pena estar aqui. Entende? E isso não há.

Enfim. O fato é que estou aqui trabalhando, de barriga forrada, tomando minha cervejinha e ouvindo música. Então não é tão mau. Rs

Desabafo.

Abril 30, 2009

Não é justo trabalhar tanto e ganhar tão pouco. Não é…

“Ei de viver e morrer como um homem comum. Mas o meu coração de poeta projeta-me em tal solidão”.

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Identificação total com Caetano, com essa dor, com essa tristeza profunda que nem parece ser minha, que me surge, que me aperta, que me chega de repente como uns versos… como uma paixão dilacerante, me cortando aos poucos as veias, os pulsos, arriscando em mim delírios, suspiros e suicídios variados. Suicídios que não são meus, não são meus! E apesar da dor eu os quero todos, porque sinto, e sinto tão profundamente isto: eles me mantém viva. Esses suspiros, esses delírios, esses sentimentos que me afagam e dilaceram, são todos meus agora. Porque eu os adoto para mim e não os largo, não os abandono. Cuido antes. Cuidarei sempre.

Surgem em mim rompantes de silêncios. E então uma lágrima chega sem avisar. E trás com ela uma família de lágrimas, outras, outras palavras derramadas em minha face muda. E eu calada choro, soluço e choro sem saber bem porque. Em mim há sim motivos para algumas dessas lágrimas. É óbvio! Em qual humano não há? Mas as vezes eu penso que essas lágrimas elas são as águas desse rio subterrâneo que há no profundo de mim e que de mim precisa esvair-se. É como se esse rio, como todos os rios, tivesse um percurso. E esse percurso leva as águas para fora de mim, desabam no mar dos meus olhos. Ou ainda, como se meus olhos fossem apenas a pororoca e fora de mim fosse o mar.

É claro que essa literatura sou eu. E o que seria então a literatura se não nos fosse? O mundo tal como é, é por demais pequeno e vago e não se sustenta nessas verdades concretas, fatídicas, reais. Portanto, criamos paralelos. Mundos, jardins, faunas, castelos, palacetes, paisagens deslumbrantes…

Não sei que horas agora. Mas esse silêncio, essa característica tão própria da madrugada, me inspira, me fascina. E, se eu estivesse na minha casa, não estaria agora nesse banheiro – apesar de gostar tanto dele e etc e tal -, mas estaria na sala, com uma música audível ecoando, enquanto me detinha nessa linhas. E ainda mais um baseado esteticamente preparado, que me fizesse flutuar um pouco depois da escrita e dentro dela também, talvez. Mas um pouco de THC no final seria excelente para que das páginas me dispusesse ao canto e depois de dançar de braços abertos, me detivesse na cama e talvez um gozo antes; e talvez o sono rápido, mas de certo, uma paz, uma calma, um silêncio meu numa casa minha e antes de fechar os olhos por completo, o mirar de um quadro, a marina talvez, o colorido abstrato, talvez, qualquer um, qualquer coisa que não fosse essas paredes pálidas apenas.

Sabe o que é uma grande questão? Nós procuramos a “primeira inteligência”, o primeiro elemento, a grande essência… pra fora. Procuramos no cosmos o que a meu ver, está no interior da mínima partícula que nos completa. É no ínfimo infinito de um núcleo atômico que há um “deus”. No interior de cada célula há essa força primeira, criadora, geradora de tudo o que há de vivo. É necessário como Jung dizia e veja bem, eu não sei exatamente porque ele dizia isso além da questão do encontrar-se humanamente falando: “olhar pra dentro e despertar”. É que, até onde sei, ele se referia à contraposição do “olhar pra fora e sonhar”, a questão dos estereótipos, do ser a partir do universo co-relacionado, da formação do indivíduo a partir de seu contexto. Aqui eu tomo de assalto sua fala para falar dessa questão mais ínfima, mais atômica.

Eu sou é uma ousada, isso sim.
Me enfiei no jornalismo quando, de fato, minha vocação é psicanalítica, ou antes, bem antes, filosófica.

Sou literatura, filosofia e psicanálise. Sou algo que ainda não ousei ser. Mas algo me diz que o inevitável se aproxima. Enfim. Tá na hora de tentar dormir. Hoje já é amanhã.

Lá fora o sol esquenta o dia e aqui faz frio de ventilador. Um domingo lascivo em outro lar, Juan criando balões e eu tentando palavras, pra desviar atenção da falta que sinto agora de quem não devia… Nada é óbvio. Nada está claro. Invento desculpas para a falta do outro, mas a presença dessa ausência não se desfaz. É mais a dúvida, muito mais ela. Não é angústia nem nada disso, só queria uma coisa diferente para me enfeitar. O devaneio é tepêemístico e não adianta encontrar soluções nesse caos metabolístico. Não há curas para esses males e a saudade nem é, de fato, o que parece ser. Vou tentar avisar isso a meu ego…

O cinza assopra a chuva que cai leve sobre o verde do quintal. A nuca acolhe o frio, o pêlo se arrepia… uma preguiça invade o corpo, os olhos dormem acesos, a luz da tela inflama a íris e eu só queria uma cama, agora, quentinha e um lençol.

Ah… Quanto querer…

Um dia inteirinho de chuva e preguiça.
E a bienal, ó, foi pras cucuias…

Não vi antes o convite da Claudinha, mas sentei na varanda para ver a chuva também!
Uma delícia…
Essa semana eu quase reclamava da chuva à vera, estava caminhando para o trabalho e vieram os pinguinhos… Aí eu ia falar e pensei antes: pô Isa, cê pediu tanto que ela viesse “com seu sonho de água” e agora vai reclamar filha?”. Aí pronto, fui aproveitar as gotículas a me beijar.

Xô mandar aqui um beijo especial pro Zé da Mala e pro Felipe, que sabe deus como descobriram o poéticas, passaram por aqui e deixaram recadinho e tudo mais. Fiquei feliz pra caraaalho!

Meu braço ta doendo demais, o direito. Acho que o esmaguei dormindo. Uma merda.
Torcendo aqui pra que amanhã dê uma treguinha pra que eu possa passear com meu piscuit.

No mais, ando tão à flor da pele…

Me vieram com um papo dia desses sobre o que cabe ou não em um namoro. E confesso que meu medo de nunca mais ter vontade de namorar anda latente. Porque é incrível como insistimos em não rimar amor com liberdade sabe? E isso interfere em meus quereres e sem querer vou erguendo meus escudos e me sentindo mais e mais sozinha…

Há quem diga que isso tudo vai passar. Eu quero muito acreditar que sim, quero muito acreditar que vou sim encontrar um parceirão de farra, de fúria, de aventura, de rotina até, mas sempre transformando o tédio em melodia e seguindo, seguindo… Mas é um pensamento descrente de si. Eu já tentei ser amelia, ser hippie, ser cega, ser surda… Mas agora eu só sei ser Isa Lorena mesmo. E aí quando alguém vem com esse papo de que se vc fosse minha namorada, olhar pro lado, nem pensar, caralho… E pior ainda quando se tem uma relação legal, sincera e gostosa e o outro acha que isso não pode ser namoro, porque se fosse, ora bolas, não seria tão legal assim.. ahhhhh! Vai te catar! Tô bem cheia de ficar tentando mostrar que as coisas são, apenas são, saca? Enfim, quero outros vãos. Nesses, já não caibo mais, sinto forte isso.

Putz, o braço dói cada vez mais…

Ô…

Abril 15, 2009

Como se chama alguém que tem dificuladde pra dormir???

Sonolento.

rs

Ou: explícita carência que afaga o meu agora.

Queria simplesmente aceitar que alguma pessoas não pensam em mim numa medida equivalente a qual penso nelas. Talvez confortaria se eu conseguisse superar isso pensando que há tantas outras que pensam demais em mim. Mas o fato é que algumas coisas machucam de uma forma indubitavelmente horrorosa e causa umas pontadinhas no peito terríveis e fica o olho nessa coisa do chora não chora e a gente segura as lágrimas porque não tem nada haver ficar chorando por motivos que deveriam ser banais.

As vezes eu odeio a Internet, mesmo não conseguindo viver mais sem ela. Odeio saber que fulano ou cicrano esteve presente aqui e acolá e simplesmente ignorou a minha existência. Pior quando se trata de alguém que vc espera um alô e ele não vem. Dói. Porque a atenção está voltada para o norte e a do outro, para o sul. Dói porque você só quer um oizinho básico, nem precisa ser um recado grande, apenas um aceno que demonstre uma saudade. Mas essa saudade não existe, não é? Então não há mesmo o que ser manifestado, enfim.

Detesto ficar me lamentando assim. É um cocô isso.

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Abril 14, 2009

Fica a certeza que é preciso partir.

Entre a prosa e a poesia, fico com meus acordes dissonantes.
Alguém percebeu quão azul estava o mar hoje pela manhã? E aquela linha cinza lá além do horizonte… Você viu? Eu adoro aquela linha cinza, aquele avisar sutil que lá vem chuva. E para completar a viagem gostosa da qual me mantive boa parte do tempo ocupada lendo a Folha explicando o Caetano pelas mãos do Guilherme Wisnik, aparecem dois rapazes, dois poetas, dois meninos bem bonitos a recitar no corredor do buzú: Felipe e Zé da mala. O segundo eu já conhecia, já tive a oportunidade de ouvi-lo em outras viagens. O outro, tão bom de oratória quanto o outro, com uma barbicha e uns óculos azuis que escondiam o seu mirar, puxou os primeiros versos e eles eram raulseixísticos e toda aquela poesia entranhando em mim em plena terça-feira. Que delícia.

Daí eu venho trabalhar.E chego nessa sala tão sem graça, onde preencho seus silêncios com canções e outras palavras. Um dia inteiro aqui fechada. Não claustrofóbica, porque tenho as janelas. Não presa, porque me cabe o espiar. Daqui transformo suor em papel colorido com caras de bichos e números austeros, fixos, pares. Daqui reverto meus vãos, minhas ideologias, meus quereres imaginários, reverto tudo em palavras escritas. Essas que deposito aqui nesse espaço tão meu, tão seu que chega pra ler, pra reinterpretar, pra saber mais de alguém que sou e que não sou eu.

Do e-mail me chegam notícias de todo lugar. Do celular envio mensagens de saudações e lembranças aos terráqueos mais próximos e por telepatia, conclamo aos meus a virem me raptar em complô imaginário. Cadê vcs, pestes?