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Novembro 27, 2008
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Deitada de costas estipulei que naquele dia, não haveria penetração. Nem no corpo, nem na alma. Minhas entranhas estavam fechadas e eu era de um convexo inexplorável naquele instante. Queria antes uns beijinhos de leve, dos pés à nuca, um outro sentido lingüístico para minhas entradas todas, desde os poros aos recônditos da minha vagina.
Então ele veio, sorrateiro, engolindo lentamente meus pedaços, um a um, de um modo preciso, de um modo circular, de um modo… E eu completamente fingida num silêncio preenchido por pequenos uivos, eu e ele, eu e ele… E sua língua e eu e meu corpo e seu cheiro e o meu… E ele subindo aos poucos, encontrando vãos, deslizando os desejos todos… E eu sentia suas mãos ofegantes a buscarem um sim qualquer que o impelisse ao mais, ao tanto mais que ali havia e eu fingia… Fingia descaradamente que não entendia nada, enquanto a minha respiração entregava o todo e eu… E eu pulsante revirei do avesso e me entreguei inteira àquela maneira descabida de amar, e ele já sabia, ele já sabia que eu fingia e nada, nada naquele momento impediria o encontro.
Um gozo imenso penetrou-me inteiro e entre suores, despudores e calafrios intensos eu me vi surtada, num não-lugar distante naquele instante agora, eu só queria mais e ele não metia. Fingia. E eu agora era um sim rasgado e ele então encaminhava o verso e revirava os olhos num desprezo suspeito e eu não agüentava e lhe implorava mais.
E nesse jogo mergulhamos juntos e ele em mim entrou e a parede fria sentiu nosso calor e derreteu o outrora e se apagou no chão os devaneios tolos e me entreguei inteira e nada mais havia e ele me sugava e ele me batia e ele me deitava e eu ardia toda, como se fôssemos mar, como se fossem ondas, alucinantes versos, modos imprecisos, penetrações diversas e o mundo se acabando e a gente não sabia.
Éramos dois e daquela noite que não se findaria num instante claro, apenas restaria mais desejo insano e novas vontades no amanhã incerto. E eu gritava tanto e dilatava toda e ele me olhava e invadia fundo e eu me contorcia e ele rebolava e nesse vai e vem a madrugada inteira e aquilo que não era no agora se formava, e entre um gozo e outro portas se abriam e delatava o amor ainda pouco dito.
E no final de tudo ainda mais restava, como o início do silêncio que Smetack não ouvia, mas as forças eram nulas e os corpos fétidos, clamavam uma pausa – ainda que sofrida. Jogados ao chão, dois encantados éramos, não havia palavras e nem sentido havia. Nossas mãos se encontraram e num suspiro único, fechamos nossos olhos, pois já nos sabíamos.
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Uns quês
Novembro 27, 2008
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O sol acordou o dia mais cedo e deu seu passeio matinal até pousar na janela de Nina às 10h. Eles se olharam. Ela despertou.
De um leve bocejo ao pulo da cama, da escova de dente ao café, da calça jeans ao cigarro, da fila do banco ao caixa eletrônico, do estacionamento ao shopping, do encontro com ela ao olhar de despedida: frações de segundos indescritíveis, deixando rastros sorrateiros em fragmentos do agora.
- Não vá.
- Mas é preciso…
Silêncio.
Ambas sabiam, era melhor assim. As mãos se soltando aos poucos, o resto do abraço, os dedos, os poros, as células, tudo clamava por mais um pouco de ali; uma gota de suor escorre da face e grita do chão o adeus. Tudo era, naquela instante.
Aqueles olhos não se veriam mais. Prometeram assim. Enquanto ainda dilatavam distâncias, um esbarro se fundiu nela e quase a queda e quase o espasmo do susto e o sorriso forçado e a volta do olhar, a procura e o nada: Nina já havia se dissipado no ar.
Então do elevador à porta, da calçada à pista, do asfalto ao chão do viaduto: vãos. Impreenchíveis vãos de quimeras instáveis. Entre beijos roubados e soluços, elas já sabiam do fim. Ensaiaram passos ligeiros, andaram risonhas na ponta dos pés, engatinharam nãos, mas os sins vieram todos, resolutos; E elas então desarmaram granada por granada, uma a uma, numa dança demorada, até entregar-se ao final do gozo, ao ápice.
Mas do coice à queda, das mãos estendidas ao desvio do olhar: grãos. De sementes mal plantadas, em terrenos férteis de temperaturas instáveis, com seus muitos espantalhos vergastando bicos que de tempo em tempo apareciam desalmados.
Voltou pra casa. Estava afoita. O coração palpitava saudades imprecisas, a boca seca, a pele em uivos. Lágrimas inadiáveis despencaram da face vazia, fazendo brotar do olhar perdido um talvez.
Quem sabe amanhã um retorno.
Quem sabe uma nova despedida.
Quem sabe ela bata na porta antes do sol terminar de rasgar o dia…
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Pausar Palavra
Novembro 25, 2008
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Depois de escutar a própria voz dizer que sim, ela foi. Sem avisos, como deve ser. Pensou antes em bilhetes, em falsetes, em beijos não dados, em catástrofes desfeitas, em poemas inacabados e frases não ditas… E foi. Primeiro espiou o chão. Não era tão alto assim. Não tanto quanto deveria ser. Depois se descalçou, sentindo a frieza da chão de azulejos. Eles eram coloridos e esse era um dos poucos detalhes de que gostava naquela casa de paredes rachadas por intensas infiltrações; pensou um pouco mais. Em nada. Não tinha muito pra lembrar, além das coisas não realizadas. Segurou na grade. Também estava fria. Fitou o céu por um breve instante e percebeu o cinza de algumas nuvens transitórias. De repente, um pingo de chuva se desfez em seu nariz. Seria um sinal? Mas porque pensar em sinais se nunca lhe acometera antes a fé nas coisas?
Esqueceu. Pensou em como subir na grade alta e resolveu buscar um banco. As gotas de chuva agora eram muitas e já não tinha mais certeza se aquele era o momento certo: não queria que seu sangue se espalhasse com a chuva pela calçada; havia crianças no prédio, o melhor seria algo que pudesse ser rapidamente dissipado – ela, seu corpo, seu sangue. Vestígios demais nunca lhe caíram muito bem.
Ajeitou o banquinho – lembrança de uma irmã distante – apoiou-se novamente na grade. Sentiu um tanto mais a chuva que invadia seu rosto, seus poros, sua alma. Esqueceu-se ali, de olhos fechados. Segundos se passaram, minutos, horas… E a chuva não cessava em seus ouvidos. Encharcada, apoiava-se na grade, de pé no banco, descalça. A água da chuva invadiu também a varanda e a sala e os pés de madeira da mesinha. O tapete também encharcara e o livro de Bukowski no chão: Tudo esmaecia àquela solidão pulsante, àquela enxurrada de incertezas, àquelas gotas multiplicadas, naquele instante.
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Me deixem gritar. É o que me resta.
Novembro 24, 2008
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Sabe aqueles dias que você ta ‘botando fogo pelas ventas’, como se diz no interior? Pois é…
Às vezes, basta uma coisinha, apenas, para estragar seu dia, ou sua semana, dependendo das outras merdas que estavam na fila das chateações urgentes.
Estou fula. Com ninguém, não; comigo mesma. Fula de ser quem sou, como sou e não mudar nem um tantinho; Fula de entrar ano e sair ano e eu só piorar; Fula de estar há seis anos prometendo as mesmíssimas coisas a mim mesma e ser a primeiríssima a burlar todas as ordens; Fula de não me aceitar como sou; fula de não aceitar que me aceitem assim também. Fula, fula, fula.
E como estou no trabalho e não devo gritar com ninguém, grito aqui mesmo.
Desgraaaaaaaaaaaçaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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Engraçado… Uma ova!!!
Novembro 24, 2008
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Engraçado: Tudo se planeja, menos o amor. Planejamos as férias, as cirurgias, as dietas, os orçamentos… Pois eu também queria planejar os namorados. Seria algo mais ou menos assim: Em Março, encontrar um namorado – Porque antes nem meu próprio braço eu tenho tempo pra beijar. Inteligente, alto, charmoso, gostoso, bom de cama, de garfo e de humor.
Que goste de crianças e que tenha mais de 30. Seguro de si e que entenda a diferença entre frescura, drama e TPM (imprescindível, convenhamos)… Que tenha muitos amigos “de rocha”, que entenda que estar junto não é ser um só e que encare e repense seus preconceitos sempre e sem muitas neuras; Que admire a natureza, que se revele artista no cotidiano, que saiba tocar um instrumento; atencioso, que entenda o português, os seus porquês – e os meus, de quebra – e que saiba diferenciar pós de ervas e que tenha esquizofrenia controlada;
Que goste de sair sozinho, que não seja implicante, que pondere os ciúmes, que controle a posse e que se orgulhe de mim sendo eu quem sou; Que se dê bem com meus amigos sem ser forçado, que saiba a diferença entre intimidade e intromissão e que não tenha vergonha de peidar na minha frente, mantendo as devidas discrições, obviamente; Que goste de filmes – no cinema e em casa – e de teatro – idem -, de circo sem animais e de chuva. e mais um monte de detalhezinhos sórdidos que a gente não conta, só pensa…
Enfim. Queria que fosse possível planejar romances Isso facilitaria minha vida horrores! Mas não é por aí. E quando tenta ser, invariavelmente dá merda… e haja caquinhos pra catar depois, lá e cá.
Então, enquanto não encontro um jeitinho de, ao menos, ajeitar o regulador de caça, vou regulando o desnivelamento de emoções, evitando taquicardias agudas e flexadas despropositais.
Aí, penso cá com meus botões, deposi que m- planejado ou não – encontrar mais uma vítima, digo, namorado, depois de três ou quatro meses de paixão intensa, sento eu e escrevo mais um desses desabafos tragicômicos, falando em como seria legal se pudéssemos planejar bonitinho o fim dos relacionamentos. Só não sei se também começaria com um “engraçado”…
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Mais um
Novembro 17, 2008
Êa meu povo!
Agora, além deste, do Universo Bloguístico e do Pintando o Sete, também teço palavras Aqui.
É coletivo. É surubístico. E gostoso viu…
Tic Tac
Novembro 17, 2008
Se eu começar esse texto dizendo que não sei mais o que sinto vai ser um saco, porque eu nunca sei mesmo. Ando tão cansada de tudo ultimamente, com uma dorzinha de cabeça beirando o insuportável, uma falta de imaginação e iniciativa terríveis, que me fazem sucumbir ao primeiro ócio, uma vontade de não ser… E talvez tudo isso seja apenas TPM, ou apenas segunda-feira depois de um fim de semana fuderoso num paraíso. Sei lá. O problema não é de hoje, é de dias e dias que já começam a se confundir.
Eu vivo dizendo que queria ser colunista, mas bem que eu podia criar minha própria coluna, num veículo próprio, de preferência. Mas cadê que rola? E aí quem anda perto, diz que eu to exagerando. E quando eu dou uma saidinha de mim mesma pra ir passear lá adiante e apreciar a paisagem que sou, percebo que talvez esteja mesmo… Mas esse hiper que há em mim não cabe nesse corpo. Um grande amor me disse isso certo vez. Tem pouco tempo até: “Isa, vc não cabe nesse corpo”. E tem razão. Eu sou corrida e não caminhada. Mas ultimamente minha massa corpórea só me permite três degraus e nada mais.
Então, depois de subir e descer dunas, andar quilômetros pela praia e sentir gosto de cloro mar e rio, só me resta querer dormir mais um pouquinho numa segunda-feira que não se permite. O resultado é frustração pro dia inteiro, um comprimido pra dar conta, um almoço bem levezinho, uma laranjinha de sobremesa e ficar enrolando pro dia passar rápido, porque as decisões difíceis não podem chegar hoje, se não o angu corre sério risco de desandar…
E ainda tem a quinta do crivo, o dia do juízo final que está logo ali batendo à minha porta com todos os erros que couberam no meu livro, prontos pra me devorar. Tem um dia inteiro sem Juan e duas horas de buzú pra encarar. Tem a falta de músicas selecionadas e a dependência de rádios soteropolitanas que mais vomitam do que selecionam e mais uma batolada de coisas que passaria o dia escrevendo se não fosse a vontade de apenas jogar isso no blog, ver o ponteiro correr e pensar numa fórmula rápida pra desaparecer. Tudo muito simples, né não?
Odeio segundas-feiras. Só pra constar mesmo.
“E quando olhar pro lado eu quero estar cercado só do que me interessa”.
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Preguiça, companheira indestrutível
Novembro 11, 2008
Tenho andado com uma puta preguiça de escrever. Logo eu, escrevinhadora de profissa. Mas já não me acanho mais em declarar minha preguiça: ela é antes de tudo, parte minha, desse trajeto, tantas vezes traiçoeiro. E nessa fase em que me encontro do trajeto eu tenho escrito tanto e tanto outras coisas que não as minhas, que fico pouco a pouco me despejar nessa preguiça derradeira e desaguar-me no papel.
Aí tem uma gente que vive reclamando que nesse blog as linhas andam curtas, que a vontade explicitamente anda pouca e que os assuntos, corriqueiros, não enfatizam meu Eu, escondido – de mim mesma até, saibam.
Então como o processo está voltado para a escrita do livro, O livro, a tal biografia – semiparida na semana passada -, acredito que não há presente melhor àqueles que vem ao encontro dessas linhas tortas, que ler um trechinho de lá. Que tal? Então pega aí. E aproveita pra dizer o que achou da linguagem, ta bem?
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Era noite de julho de 1942. Ventava um tantinho
lá pelas bandas de Teixeira, na Paraíba, apesar da seca
que castigava. No Sítio Bom Conselho, sob o céu estrelado
do sertão, uma mulher se contorcia devido as cólicas
do parto, que lhe retorcia as entranhas: Era Francisca
Cassiano, mulher retada, de fibra forte, pronta pra gerar
mais uma cria. Às pressas, saía porta afora o pai da criança,
Cândido Tenório, pra chamar a parteira da região,
dona Águida Vasco da Gama, também conhecida como
a “deusa das prenhas”. Naquela noite nascia um menino
parrudo entoando os primeiros acordes, num choro estridente,
enquanto o mundo, alheio, vivenciava os conflitos
sangrentos da Segunda Grande Guerra Mundial.
Batizado na Matriz de Santa Maria Madalena de
Antônio Tenório Cassiano, o quarto de onze irmãos, hoje
aos 66 anos, se esforça para lembrar todos os nomes:
Raimundo, Moacyr, Expedito, Oliveira, José, Severina,
Maria, Geraldina, Terezinha e Berenice. Todos Tenórios
Cassianos legítimos, produzidos pelo mesmo pai, que
ele classifica como “um homem de vergonha”, por ter
feito filho em uma única mulher. Os irmãos seguiram
cada um seu rumo na vida, mas na infância era “tudo
unido, grudado que nem chiclete”.
A cidadezinha onde foram criados fica numa
região do Sertão da Paraíba. Na década de 40 era a cidade
de Teixeira, que depois se transformou em Maturéia.
A origem do nome do lugar ninguém sabe muito
bem, mas das muitas versões existentes, tem duas que
são as mais aceitas por quem vive por lá. A primeira,
fala de um tal Capitão Francisco da Costa Teixeira, que
gravou a marca de suas botas ali, por volta de 1761. A
outra versão reza que seu fundador foi o sertanista pernambucano
Manoel Lopes Romeu, que em parceria com
seu irmão, fundou o povoado que primeiro teve o nome
de Canudos, depois Serra do Teixeira e depois, bem depois
mesmo, Maturéia. Esse depois é tão distante, pra
se ter uma idéia, que a emancipação da cidade – que era
um pequeno povoado da década de 40 – só se deu no
ano de 1995, mais precisamente no dia 13 de dezembro
que é hoje a data de aniversário oficial da cidade. Se a
gente procura, por exemplo, na internet o nome dela,
encontra a dita como um município da Serra de Teixeira,
mantendo assim os dois nomes. E se formos ao mapa da
Paraíba, vamos encontrar não só o município Maturéia,
mas também um município denominado de Teixeira. No
final das contas, constatamos que os dois nomes continuam
por lá, provando que fronteira só existe mesmo
é nos olhos de quem as delimita – e de quem acredita que
elas existem, claro.
Maturéia fica a 274 km de João Pessoa. Da capital,
o acesso à terra de Antônio, é feito pela BR-230,
passando por Barra, uma localidade que fica depois da
cidade de Juazeirinho; passa também pelas cidades de
Assunção, Taperoá e Desterro. Mas a referência de lugar
desse paraibano se dá, de fato, no Sítio onde nasceu e foi
criado, pois foi lá, em Bom Conselho, sob o clima quente
e seco bem típico do sertão, que o menino engendrou
seus primeiros passos.
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Festinha supimpa
Novembro 10, 2008
Como fazer muitas crianças felizes num dia de comemoração:
Um bolo todinho de chocolate
Brigadeiros
Cachorro-quente
Pipoca
Pirulitos e balas
Bolas coloridas
Enfeites pintados por elas à mão
Um bolão de rasga-saco, cheinho de brinquedinhos dentro
Pronto.
Ah! E deixá-las correr alucinadas pela casa descalças.
Uma de-lí-cia!
Experimente. Eu agarantio ![]()
H:)Je
Novembro 3, 2008
Hoje é o dia dele, o meu dia também e dia do sol, que apareceu inequívoco, provocando em mim suores retráteis. Há sete anos ele nasceu. Saiu de mim tirado, porque era gostoso demais lá dentro pra querer sair; mas já havia passado os nove meses de aconchego e era hora de conhecer o mundo aqui fora, descobrir o ar e o amar concreto e portátil dos humanos. Era 2001.
De manhã, as contrações que vinham, pungentes, em espaços cada vez menores. A dor de encolher a barriga chegou alucinante, era hora de fazer outras malas. E entre suores, calafrios e uma dose cavalar de apaga leão, nosso laço-cordão foi cortato, deixando em mim o sangue-espasmo de vê-lo apenas sete horas depois das 13h20.
E então o peito que jorrava leite como um rio de água caudalosas e quentes, o acolheu. E na perspectiva do abraço eu me fiz mãe. E segundo a segundo se passou até o agora. esse dia de sol em que retrato em dígitos a minha ânsia de chegar em casa logo, esquecendo as obrigações da segunda-feira que vim cumprir à marra, sem vontade.
Meu filho é a sabedoria que me alavanca à vida, trazendo a tona dia-a-dia a vontade de vencer todas as barreiras de pouco a pouco, num processo ininterrupto e indescritível de aprendizado. Nós, camaleões, misturados nesse amor indizível que multiplica a vida apresentando facetas.
Ao meu filho, minha cria, um pontinho desse obrigado por existir. Ele, que certamente lerá esse singelo post algum dia – não distante – saberá que meus tentáculos se esticam todos, em agradecimento à sua existência.
Agora deixa eu correr por aqui, para de novo me quedar em seus braços!