.Pequena.Pausa.
Setembro 26, 2008
Se rezar pra São Longuinho a Internet volta? Essa é a dúvida que me assola agora, atolada de trabalho e afazeres e a porra da net caída, estendida no chão. Caótico isso. Mas como o ócio e eu não somos muito cúmplices, vou escrever cá umas bobagens, nesse Word que me chama, ávido, com essa página branquinha, clamando por uma grafia…
O lance é que hoje é sexta-feira e nem por isso dia de cerveja, porque a pessoa aqui ainda acredita em ressaca e amanhã também é dia de trabalho. Pois é. E lembrando de um papo importante que tive ontem com uma persona não menos importante, penso novamente no questionamento que foi feito a mim, ininterrupta tentativa de poeta: Quais são as minhas ambições? Bom, na falta do que fazer (ops, a net voltou?), vou traçar algumas linhas acerca do assunto. Pra começar, sim, eu sou uma pessoa ambiciosa. E muito, eu diria. Mas minhas ambições são fichinha, nesse mundinho capitalista extremado no qual estou inserida. O que eu quero? Uma casa. Rapaz, eu posso ser ralé, ralé, mas eu quero ter a minha casa. Minha mesmo, terreninho comprado e etc. Nem que tenha que passar 20 anos pagando, eu sempre digo, mas cá pra nós, passar 20 anos pagando uma casa é FODA. Imagine se eu morrer aos 35? Agora eu lembrei que uma figura muito interessante leu a minha mão essa semana – e confesso que acreditei em tudo, à revelia da minha racionalidade – e me disse, entre outras coisas, que eu ia ser feliz (bãnnnn) e que ia ter dinheiro (sério?) e que eu ia encontrar, (pasmem) o macho que preencheria meus espaços (forte heim?), daqui há dois meses. Certo. Vou repetir para convencer a mim e a você: dois meses. É… Pois é. Não, o melhor vem agora: esse figura tem nome!!!! (Não, não vou contar não, porra, vai que é vero???). E ele seria, supostamente, um grande fornecedor de hortifrutes (!) e nós vamos nos conhecer num supermercado. Aí ficou pesado… Que puta sacanagem heim? Conhecer o homem de sua vida numa feira, digo, num supermercado? Eu mereço? É… deve ser…
Então eu não quero ais falar sobre as minhas ambições. Não quero ninguém rindo dos meus quereres, meu móveis rústicos, meus copos coloridos, minha mesa grande no quintal e minha paz. Deixa eu voltar a trabalhar…
Quando entrar setembro…
Setembro 24, 2008
Já não tenho mais insônia como antes, porque não há possibilidades reais para isso. Agora já é quase meia noite e tô aqui lutando para enxergar o que escrevo, já que meu subconsciente cansou de avisar amigavelmente que meu corpo precisa dormir. O problema está na dicotomia entre meu cérebro e meus músculos abaixo do pescoço (opa! O pescoço também conta), que doem pra caralho avisando que vem bomba por aí. Passei boa parte dessa semana pensando em como pareço mais velha que minha vó fisicamente, ela com seus quase 70 e eu, com meus quase 30. Gastar boa parte do meu tempo nessa questão me pareceu inevitável, porque jamais imaginei que teria real necessidade de ir a tantos médicos. Tenho um medo terrível que venham radiografar minha coluna: acho que me internam no mesmo dia para arrancar meus prováveis três quilos de peito. Sim… Eles são um grande problema. Mas são meus. As índias também os tinham: deixavam cair e pronto. Mas eu, com minhas fugas hereditárias européias, não aceito isso nem a pau. Arraso meus ombros, mas não largo o sutian. O bicho pega de fato é na hora de dormir, porque eles não se decidem se caem de um lado ou do outro quando invento de deitar na minha posição preferida, de barriga pra cima. A barriga, aliás, é outro grande problema: depois que ela elasteceu para guardar Juan, nunca mais entendeu que podia já voltar pra seu lugar. Mas coitada, ela é submissa à mim e eu, cá entre nós, esqueço as vezes que ela existe, até olhar pra ela no espelho e passar uma semana deprimida. Eu conheço algumas magras depressivas. Mas o número de gordos depressivos é beeem maior. Porque nós não nos agüentamos, estamos sempre quase caindo, quase se batendo em todo mundo e geralmente, não temos fôlego algum, salvo alguns seres elevados que conseguem combinar peso e exercício numa dose quase irreal quando pensamos, mas ora, porque continuam gordos afinal? Enfim. Eu sei é que estou quase com um novo torcicolo, quase com uma fadiga muscular geral, quase com um rompimento total de relações entre minha coluna e minha cabeça e quase, quase, acreditando que isso nunca mais vai mudar. Percebi que estava me tornando uma descrente de mim depois de ouvir as palavras de uma amiga psiquiatra, que vieram certeiras, boa profissional que ela é: o problema é vc acreditar que não vai mudar; que é assim mesmo que tem que ficar. Foi uma punhalada. Mas foi ótimo. Só depois dali percebi que sim, eu tô justamente entrando nessa onda de acomodação da minha imagem. Quer dizer, estava. Agora eu percebi que estou efetivamente jogada nela e mais atualmente, que quero sair dela.
E Setembro entrou, arregaçando las preguitas…
E eu continuo aqui: peituda e descrente. Mas agora sou uma gorda empregada, e como diz James, eu sou uma pessoa inteligente e etc. Já me acabei de rir com ele por conta dessa definição fantástica! Mas eu conheço meus etcéteceras: consegui um trampo fixo um semestre antes da minha formatura. Isso é muuuito bom. Pra mim e pra meu ego, que andava me enchendo o saco, em parceria com a minha consciência, me lembrando a todo o momento que setembro ia chegar e o estágio no jornal ia acabar e não iam me recontratar. O que efetivamente aconteceu. Mas adorei ouvir de chefinho o que ouvi: “aqui ainda é a sua casa”. E também quando ele atropelou uma fala minha que agora, eu vejo como foi bom não te-la proferido, pois era pra lá de pretensiosa. Eu estava no meio de: daqui a cinco anos eu volto como editora do cultural; aí ele atropelou o meio da fala e disse: “cinco anos não. Eu espero te ver aqui dentro de um ou dois anos”. Pronto. Bastou para eu inflar. É bem verdade que essa conversa só ficou gostosinha assim porque eu estava lá sendo demitida e pensando nos complementos da agenda de outubro. Pois é. Eu tô feliz. Desastrosamente feliz, claro, como de praxe. No dia em que estiver completamente feliz, certamente vou bater as botas no minuto seguinte.
Espreguiçar. O ato.
Setembro 23, 2008
Rapaz, eu tô numa preguiça filadaputa hoje. Uma coisa Dorival Cayme mesmo. Triste. Vontade de rede, de soneca, vontade de nada. Ouvindo caetano, claro.
Deve ser o contexto, vá saber: trabalhar no meio da ladeira do pelô, numa salinha aconchegante, com duas minas inteligentes, um quintalzinho no fundo – a baía ao fundo -, pertinho da Cubana e do restaurante do Senac. Ou seja:
Ai, ai… Deixe eu rezar direito contra olho gordo viu……..
O poder da palavra e os vãos do educar
Setembro 2, 2008
Comunicação é tudo mesmo, minha gente!
A grande lacuna entre pais e filhos está na comunicação, no diálogo, tão necessário para manter saudáveis as relações, qualquer que sejam elas. A maior parte dos pais comete o grande equívoco de acreditar que o diálogo só precisa acontecer no ápice dos problemas, encontrando, na maior parte das vezes, apenas o silêncio de seus filhos. Falo isso de um patamar de experiência própria, tendo sido eu, hoje com 26 anos e mãe de um mocinho de quase sete, uma adolescente problemática e rebelde, que apesar da educação excelente que recebi, vivi por muitos anos, à sombra dessa lacuna.
Hoje, no plano de educação estabelecido para o meu filho, o diálogo está no patamar das atenções; conversamos sobre tudo, desde as travessuras na escola, os imensos detalhes do cotidiano, até as questões mais complexas, como a relação humano-corpo, humano-humano. Além de aprender muito com ele, me sinto muito mais pronta para resolver os problemas quando eles aparecem, porque problemáticas não surgem do acaso: percorrem caminhos suntuosos, até desabar no mar da dúvida que atormenta e causa angústia.
Não acredito na irreversibilidade das coisas, ou melhor, procuro não acreditar. Assim, me assumo uma otimista quase ingênua da humanidade. Grande parte desse acreditar vem do fato de ser mãe. Porque sempre que penso em desistir – e não são poucas as vezes que esse pensamento chega sorrateiro – é nele que penso. Portanto, resolvi escrever para os meus sobre isso, porque todos somos filhos e alguns de nós, pais. E não me venham com o velho papo de que “se conselho fosse bom seria vendido”, porque essa desculpa estritamente egoísta e capitalista nunca me foi muito digesta e se queremos de fato, um mundo melhor para nós e para aqueles que nos precederá, precisamos sim, botar pra fora o que sabemos sobre o mundo, para somadas as experiências, buscarmos juntos (ou não), as melhores soluções.
Sendo assim, convoco a todos para pensar sobre isso, pais e filhos. Um bom papo em casa diminui consideravelmente a necessidade de uma busca posterior aos profissionais especializados para isso. Longe de mim acabar com o ganha pão dos psicólogos analistas e afins; quero antes alertar é para a não-necessidade para tantas buscas por terapias, muitas vezes solicitadas por aqueles que não têm a quem recorrer perto de si. São alguns, não todos os casos. Mas são muitos. Atualmente, podemos perceber se observarmos um pouquinho, que paralelo ao boom tecnológico que vivemos, onde estamos cada vez mais inseridos em novas redes de sociabilidade, isolamo-nos em mundos construídos para nossos egos e permanecemos à espreita do todo. Ora, será que toda essa solidão pulsante não tem um precedente? E será muito difícil compreender que esse precedente pode estar lá atrás, nos confins de nossa infância e/ou juventude?
Crianças não nascem sabendo se comunicar. Isso soa óbvio, mas não é, na prática. Nós, pais, precisamos aprender a aprender. E isso não é lá muito fácil… Porque enquanto enfrentamos o mundo apenas como filhos, vivemos nossas problemáticas nesse grau hereditário, pois somos “as vítimas” enquanto os pais são “os culpados”. Invertendo o jogo, muitas máquinas quase pifam. Mas a observação constante do comportamento e a leitura possível de fazer das atitudes e contrários, nos levam a um conhecimento sensacional deles e de nós mesmos. Quando uma criança mente, por exemplo, uma coisa tão típica na primeira infância, o que fazemos além de repreender? Conversamos. Elas não entendem, muitas vezes, suas próprias atitudes e nós somos os mediadores dessa história, pois estamos num processo constante de plantação e colheita com relação a eles e ao mundo. Precisamos ir e voltar com informações que parecem pequenos num primeiro instante, mas que serão extremamente pertinentes quando eles passarem a ver o mundo sem ter a nós como filtros. E engana-se, como eu me enganei tantas vezes, que esse olhar solitário deles para o mundo chega numa idade mais avançada apenas; ele acontece desde sempre, e se potencializa muito cedo. Aja jogo de cintura para manter o equilíbrio em todas as negociações!
E esse é o gostoso da empreitada. Se vc, mamãe e papai, estabelecem como hábito o diálogo, ele será sempre o movimento precursor de todas as situações futuras, mesmo na inevitável ‘aborrecência’, que graças a Tupã, passamos todos nós, pois ela é essencial para os binóculos que seremos no futuro. Sejamos mais atentos aos nossos rebentos, nós, seres inverídicos do século XXI. Vamos acabar de uma vez com esse escasso paradigma que insiste em repercutir, onde as crianças não têm vontades. Elas têm. Muitas. E nós, temos os limites, as vias de organização dessas vontades; Temos a experiência para indicar os caminhos, temos a paciência para escutar as repetidas versões, temos o carinho para viabilizarmos os sonhos, segurando os pezinhos lá no chão. Sem maiores divagações espiritualistas, é bom acreditar que fomos escolhidos por elas, afinal, para guiar melhor os seus caminhos. Portanto, vamos fazer isso com a verdade da palavra expressa, olho no olho, ouvidos atentos e força para o imprevisível que sempre vem.