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Julho 31, 2008
A
palavra
sai
repetida
.
Sufocada
pelo
engasgo
que
assola
.
Tudo
esmaece
à
solidão
pulsante
Que
tomada
louca
já
aflora
.
.Romper a incabível prisão.
Julho 16, 2008
De todos os sons que me irritam muito, o do telefone ganha em disparada. A variedade de trin-trins existente me apavora. Agora imagine uma pessoa assim, com fobia explícita de telefone, trabalhando diretamente com ele? Um dia de fúria veio agora em sua mente? Pois é…
Aqui são mais de 100 aparelhos de telefone tocando quase ininterruptos, para o caos dos meus tímpanos, durante seis, sete horas. O burburinho das pessoas não me incomoda tanto, porque até gosto de zoada, gosto dessa afronta criativa ao silêncio, apesar de gostar muito mais do silêncio, ou de sinfonia compassada, trabalhar ouvindo música, por exemplo, uma dádiva… Mas telefone não. É terrível e me deixa irritadíssima…
Mas só me resta orar bastante e aja pensamento positivo pra que me seja dada, um dia, a oportunidade de trabalhar num ambiente a meu gosto. Caetano reverberando, Elis gritando, João cochichando; muitos papéis espalhados, um pc alí do lado, uma bituca no cinzeiro, um cheirinho de incenso e muita tinta…
Sonhar é tão modesto, o mecanismo de correr atrás é que atola. A correria é necessária, eu sei, e não desgosto como um todo. Mas que eu queria uma rede e um violão como rotina, ah, isso eu queria…
Escrivinhando, escrivinhar…
Julho 15, 2008
Estou perdida entre tempos e agora. Leio outras poéticas, leio a minha; não encontro conexões ou as encontro, perdidas, dissimuladas, afoitas até. Quero me lançar ao mundo, deixa-lo subjulgar-me à sua necessidade, mas tudo parece efêmero, inclusive o que escrevo. Não me sei poeta, não me sei artista, estou a meio-termo de tudo. Não há nada que goste tanto de fazer, mas há as contas pra pagar que não são poucas. E todo lance acadêmico que me sustentará aos poucos, que é preciso ser visto e revisto e trevisto… São confusões memoriais que nunca acabam. E certamente já entendi que se elas acabarem, acabo eu também.
…
Passo a manhã dando rápidas olhadelas por cima do computador que ataco agora; as pessoas se concentram em suas funções. Não parecem felizes nem tristes; apenas conformados de estar aqui. Se eles olharem pra mim também – certamente o fazem – terão de mim o mesmo conceito, que engraçado…. (Engraçado o caralho, isso é uma lástima. Afinal, a normalidade é a pior das influências)…
Esta função que cumpro agora, de resgatar o cotidiano em páginas manchadas de um jornal, há tempos me acomete. Comunicar sempre foi um vício válido, pra mim. No entanto, todo dia essa batida, na lei seca que rege a cidade, cansa. Eu quero os tempos mais que o agora. Eis a grande questão.